Carta aberta à minha mãe

Mainha,

Sei que todos tem a mãe dos seus sonhos e que cada uma desempenha sua melhor versão. Mas é à senhora, minha mãe, que hoje escrevo com emoção.

Em dias tão difíceis, suas palavras sempre foram meu melhor acalento. Em meio a grandes tempestades,  sua forma de dizer que tudo ia dar certo, foram fundamentais naquele momento.

É inevitável que hoje, nesse momento que precisamos estar distantes, não pense em mainha, mas saiba, meu coração está cheio de você.

 

Sou um retrato falho seu, minha mãe. Um pouquinho do que admiro e tanto gostaria de ser.

Sou um doce quentinho assim que sai do forno, sou a briga por lamber a panela do bolo e amo observar ele crescer.

Sou um prato especial de domingo, uma música do Roberto Carlos, um hino.

Sou um checklist de viagens, e mesmo que eu ame filmes e você odeie as imagens, temos uma mania estranha adorar as embalagens.

Sou suas manias de não deixar a sandália emborcada, de não guardar a roupa avessada, de odiar chegar atrasada e que jamais pode tomar banho depois da feijoada.

Sou suas palavras mais duras, quando eu tanto precisei ouvir. Em contrapartida sou as palavras mais necessarias quando precisei partir.

Sou o “você não vai” e também o “você não é todo mundo”, o “namorar só depois dos 15” e o jeito de se comover profundo.

Se os filhos conseguissem sempre entender a palavras e preocupações de uma mãe, certamente sofreriam menos, chorariam menos e estudariam mais.

E então o “eu avisei”, mesmo sabendo que o olhar não seria de um julgador, mas de quem quis evitar o inevitável, também doeria menos.

Ainda não sou mãe, mas se isso acontecer, que eu possa ser para meu filho, a figura de força que sempre fez transparecer. E isso minha mãe, é o que me faz te amar e admirar de uma forma que ninguém jamais poderá modificar.

 

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